Já feitas as apresentações, é hora de partirmos para a ação. E aqui faço uma proposta: que tal começarmos pegando leve, já que estamos dando os primeiros passos na coluna? Pois abro esse tópico contando a pergunta que mais ouço: “que celular eu compro?”. Parece simples responder, mas não é. Um celular, hoje, vai muito além de “um aparelho para falar”: alguns trazem e-mail, mensagem de texto (SMS), mensagem multimídia (MMS), Bluetooth, câmera, acesso à internet e às redes sociais como Twitter e Facebook, software para localização usando GPS e uma série de funções que podem interferir na decisão de compra – e no preço.Já que as variáveis são muitas, sempre que surge a pergunta “qual comprar” eu emendo com “pra que você quer o aparelho”?. Este sim deveria ser o primeiro questionamento. Se alguém precisa de um celular apenas para falar, mandar mensagens de texto e fazer fotos em baixa resolução, por exemplo, pagar por um aparelho dotado de funções avançadas pode resultar em uma compra errada. Ou simplesmente um gasto desnecessário.
Sendo assim, divido os aparelhos por perfis de uso e considero que isso pode vir a ajudar àqueles que ficam em dúvida quando chegam na loja e se deparam com um leque de opções.
Uso básico: é o caso dos que precisam de um aparelho para falar, mandar mensagem de texto, fazer fotos em baixa resolução e mandá-las por e-mail ou via MMS (mensagem multimídia, para outro aparelho). A maioria dos chamados aparelhos low end já traz, hoje, o Bluetooth, tecnologia que permite o envio de arquivos de um aparelho para outro e a conexão com fones de ouvido e outros acessórios.
Há alguns anos, o Bluetooth impactava o preço final do modelo e não valia a pena este perfil. Hoje, no entanto, o Bluetooth está presente nesta classe de aparelhos e tê-lo pode ser divertido. Mas como reconhecer os aparelhos low end? Simples: eles são mais baratos – até R$ 200, dependendo do plano – e trazem SMS, MMS, câmera com resolução de no máximo 2 megapixels – o suficiente para fazer registros simples, ou seja, a imagem não vai gerar fotos muito grandes se impressas – Bluetooth, MP3 player e, em alguns casos, acesso à internet, mesmo que seja aos portais das operadoras através do WAP (Wireless Aplication Protocol). Mas que fique claro: o tráfego é cobrado pela operadora e se seu plano é pré-pago, tenha em mente que seu cartão vai embora muito rapidamente se você usar a internet, o SMS e o MMS. Muitos modelos low end trazem rádio FM, mas este pode ser usado livremente porque não tira partido do tráfego da operadora – é como usar a TV no celular.
Uso intermediário: chamamos os aparelhos “meio termo” de Middle End – são aparelhos não muito caros mas que já trazem algumas funções avançadas e podem agradar tanto àqueles que desejam um aparelho um pouco mais sofisticado e gostam de tecnologia quanto aos usuários mais básicos que querem um “quê” a mais em seu aparelho. A diferença de preço entre um low end e um middle end não é muito alta, mas para quem usa planos pré-pagos, um celular “meio termo” pode levar a gastos inesperados, já que há funções sedutoras, como o acesso a e-mail e à internet, que podem transformar o cartão num grande gastador.
Em geral, os aparelhos intermediários trazem câmeras com melhores resoluções (entre 2 megapixels e 5 megapixels), Bluetooth, acesso à internet, ao e-mail e aos portais móveis das operadoras, SMS e MMS, MP3 player e conexão às redes sociais. Como são atraentes, os aparelhos middle end podem chamar a atenção do consumidor, que acaba levando para casa um aparelho que pode estimular o gasto do cartão (em caso de plano pré-pago) ou da franquia do plano pós-pago.
Uma dica que deve ser levada a sério: as operadoras não deixam claro quanto custa o acesso a serviços como e-mail e acesso à internet, assim como acesso às redes sociais através dos botões instalados na área de trabalho do aparelho. E o custo do tráfego avulso (aquele que não entra na franquia contratada) é muito alto, na maior parte das vezes extorsivo.
Há operadoras oferecendo planos de conexão ilimitada à internet, mas quando for assinar o pacote, pergunte sobre limite de tráfego – sim, há operadoras que oferecem acesso ilimitado mas, quando o cliente usa muito, a velocidade vai caindo no decorrer do mês.
Uso avançado: é o caso do iPhone e outros aparelhos dotados de funções avançadas de conexão à internet, download de aplicativos (joguinhos, programinhas, etc), SMS, MMS, velocidade maior e processador mais rápido. Estes modelos trazem ainda câmeras com 5 megapixels ou mais (alguns já chegam a 12 megapixels), GPS com aplicativos como Google Maps ou OVI Mapas (nos Nokia), Bluetooth, MP3 player, rádio FM, em alguns casos dual chip (possibilidade de usar dois chips no mesmo aparelho, o que tem sido muito procurado pelos consumidores), TV digital, acesso às redes sociais, gravador de voz e de vídeo, ou seja, os chamados aparelhos high-end são os mais caros e, por isso, mais completos.
Deixando de lado o subsídio comum oferecido pelas operadoras – quanto maior o pacote contratado, mais barato será o aparelho – o preço dos aparelhos high end é alto. Em médias, eles custam a partir de R$ 1 mil oferecendo funções que vão muito além do “falar e mandar mensagens”. Clientes de planos pré-pagos não deveriam comprar este tipo de aparelho, correndo o risco de consumir muito rapidamente o cartão – a tarifa cobrada pelo kilobyte avulso, forma de cobrança das operadoras pelo tráfego de internet móvel, é muito alta.
aso deseje tirar o melhor proveito possível de todas as funções do aparelho que vai adquirir, o consumidor precisa ter em mente que os high end são muito sedutores e as funções tendem a leva-lo a usar internet, e-mail e download de aplicativos, o que resultar em gastos extras não esperados. É como comprar um carro muito caro e não ter dinheiro para a manutenção nem para a gasolina.